terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"O Banquete" (para ter algo postado aqui) é basicamente um resumo do livro, para quem quer ler mais rapidamente...

Minha pesquisa sobre Eros foi inteiramente baseada no livro de PLATÂO, “O Banquete”, de acordo com a narrativa, os personagens são convidados por Agatão para um banquete, entre eles está Sócrates e Aristodemo que foi convidado por Sócrates.
Chegando ao banquete, vale salientar que Sócrates entra em estado catatônico no caminho por algum motivo de idéia, pensamento e/ou estase, volta de seu transe e chega atrasado, sua chegada se dá quando os convidados já estão comendo. Erixímaco observa que os convidados em sua maioria, de ressaca, não estão de acordo com a idéia de se embriagar em demasia, então para animar e preencher o tempo do banquete idealiza que as pessoas da mesa, discursem sobre o AMOR.

Fedro começa seu discurso dizendo: “que era um grande deus o Amor, e admirado entre homens e deuses, por muitos outros títulos e sobre tudo por sua origem. Pois o ser entre os deuses o mais antigo é honroso, dizia ele, e a prova disso é que genitores do Amor não os há”.

Em outra pesquisa sobre o assunto há o mito de que, Caos e sua cosmogonia, carregando o nada, cospe Gaya, que por sua vez, com seus vômitos, partos, refluxos e regurgitos, transcende e vomita Eros, Eros vê com seu amor essencial Gaya, percebe sua solidão e a falta, assim faz Urano (céu) e assim se segue.

Fedro sabendo, diz quê: “depois do Caos foram estes dois que nasceram Terra e Amor”.
Parmênides diz da sua origem: “bem antes de todos os deuses pensou em Amor.”
Sendo assim, não seria possíveis grandes obras se não houvesse a vergonha do que é feio e o apreço do que é belo.
Fedro continua dizendo que o amor verdadeiro e honrado e o maior, seria a do amado que morre por seu amante, como Alceste que morreu pelo marido ou como a derrota de Orfeu que não ousou morrer pelo seu amor, ou Aquiles que vingou-se por seu amado e não apenas morreu por ele, mas sucumbiu-se a ele.
Fedro: “Assim, pois, eu afirmo que o Amor é dos deuses o mais antigo, o mais honrado e o mais poderoso para a aquisição da virtude e da felicidade entre os homens, tanto em sua vida como após sua morte.”


Depois de Fedro fazer seu discurso, sem objeções Pansânias começa o seu: “Sem o Amor não existiria Afrodite, Se, portanto uma só fosse esta, um só seria o Amor; como, porém são duas, é forçoso que dois sejam também os Amores. E como não são duas deusas? Uma, a mais velha sem dúvida, não tem mãe e é filha de Urano, e a ela é que chamamos de Urânia, a Celestial; a mais nova, filha de Zeus e Dione, chamamo-la de Pandemia, a Popular. É forçoso então que também o Amor, coadjuvante de uma, se chame corretamente Pandêmio, o Popular, e o outro Urânio, o Celestial. Por conseguinte, é sem dúvida preciso louvar todos os deuses, mas o dom que a um e a outro coube deve-se procurar dizer. Toda ação, com efeito, é assim que se apresenta: em si mesma, enquanto simplesmente praticada, nem é bela nem feia. Assim é que o amar e o Amor não é todo ele belo e digno de ser louvado, mas apenas o que leva a amar belamente.”
Diz que o amor de Afrodite Pandemia, são os amores vulgares que amam mais somente o corpo que a própria a alma do ser amado. Depois vêm o amor de Urânia que quem participa são os jovens que querem um amor que os acompanhem, após são os mais velhos, que possuem um amor menos violento, que afeiçoam-se por uma natureza mais forte e inteligente, esses estão dispostos a acompanhar pela vida seu amor e não usá-los e trocá-los por outros amores, como fazem os amantes de Afrodite Pandemia.
Assim como as mulheres serem obrigadas a manter suas relações amorosas, mesmo depois de serem deixadas pelos amados. “E é mau aquele amante popular, que ama o corpo mais que a alma; pois não é ele constante, por amar um objeto que também não é constante. Com efeito, ao mesmo tempo que cessa o viço do corpo, que era o que ele amava, “alça ele o seu vôo”, sem respeito a muitas palavras e promessas feitas. Ao contrário”.
Assim tudo que é belo é belo pela virtude, não pela matéria, dinheiro, corpo e sim pela força, sabedoria e inteligência do ser amado.


E Aristófanes passa para Erixímaco sua vez, pois é pego por um soluço, Então Eríximaco discursa:
“Pois de novo revém a mesma idéia, que aos homens moderados, e para que mais moderados se tornem os que ainda não sejam, deve-se aquiescer e conservar o seu amor, que é o belo, o celestial, o Amor da musa Urânia; o outro, o de Polímnia, é o popular, que com precaução se deve trazer àqueles a quem se traz, a fim de que se colha o seu prazer sem que nenhuma intemperança ele suscite, tal como em nossa arte é uma importante tarefa o servir-se convenientemente dos apetites da arte culinária, de modo a que sem doença se colha o seu prazer. Tanto na música então, como na medicina e em todas as outras artes, humanas e divinas, na medida do possível, deve-se conservar um e outro amor; ambos com efeito nelas se encontram. De fato, até a constituição das estações do ano está repleta desses dois amores, e quando se tomam de um moderado amor um pelo outro os contrários de que há pouco eu falava, o quente e o frio, o seco e o úmido, e adquirem uma harmonia e uma mistura razoável chegam trazendo bonança e saúde aos homens, aos outros animais e às plantas, e nenhuma ofensa fazem”.
O amor é a sabedoria e justiça, o poder e a felicidade, o convívio, a amizade, nós humanos amamos assim com os deuses.

Aristófanes em seu discurso recorre a um mito, conta dos três tipos que homens que existiam, o homem duplo, que seriam duas partes masculinas, a mulher dupla que seriam duas partes femininas e os andróginos que eram o feminino e o masculino, tinham quatro braços e quatro pernas e rolavam quando corriam por serem arredondados e, por conseguinte seus oito membros, quatro braços e quatro pernas, o masculino era descendente do sol e o feminino da terra e o que era semelhante aos dois era a lua, que também tem de ambos. Eles tinham muita força e presunção, pois se julgando completos voltaram-se contra os deuses tentando começar uma escalada até o céu, os deuses teriam que fazer algo para interrompê-los, então acharam sua forma, mutilando em metades esses seres e os transformando em solitários e desesperados. Os humanos teriam desaparecido se Eros não os dessem órgãos sexuais e os ajudasse a encontrar a metade perdida. As mulheres e homens duplos amam o mesmo sexo e os andróginos o sexo oposto.
Assim sendo os homens tristes eram os que não encontravam sua metade pelo mundo e pela vida, os felizes seriam os que achavam suas metades se completavam e eram felizes juntos, fortes e harmoniosos. Amar é encontrar nossa metade e o amor é esse encontro.



Por fim o anfitrião da festa começa seu discurso.
Agatão: “Eu então quero primeiro dizer como devo falar, e depois falar. Parece-me, com efeito, que todos os que antes falaram, não era o deus que elogiavam, mas os homens que felicitavam pelos bens de que o deus lhes é causador”

Diz que a melhor maneira de elogiar é fazendo um discurso, então seria justo que louvássemos o Amor em sua natureza, diz também que de todos os deuses o Amor é o mais feliz, o mais belo e o melhor deles.
Diferente do que diz Fedro, enfatiza que o Amor é o mais jovem dos deuses, ele foge da velhice, dela não se aproxima, está sempre ao lado dos jovens, e assim é certo que os iguais se aproximem então Amor é jovem. Do que falaram sobre o Amor estar nas mutilações, vinganças e mortes, junto a Parmênides e Hesíodo ele não estava, eles fizeram o que fizeram por necessidade e não por amor, não crês que Amor estava ao lado desses, se assim ele estivesse haveria amizade e paz.
O Amor além de jovem é delicado, e como Homero poetiza:
“seus pés são delicados; pois não sobre o solo
se move, mas sobre as cabeças dos homens ela anda.”

Amor não anda sobre o que é duro, anda sobre o que é mole, ele mora nas almas de deuses e de homens, de todos os seres, mas de fato, dos de comportamento rude, ele se afasta.
Então é o mais jovens, o mais delicado e sua constituição é úmida, pois assim ele se amolda e entra despercebido nas almas, se ele assim fosse seco assim não ocorreria.
O Amor se assenta e fica onde há perfume e flores.
Amor nem comete nem sofre injustiças, a violência não toca em Amor, a temperança ele compartilha, reconhecidamente tem o domínio dos prazeres e desejos, o Amor de Afrodite é o mais forte, ele pega ao invés de ser pego.
Qualquer um pode ser poeta “mesmo que antes seja estranho às musas”, se o Amor o toca assim ele será.
A criação dos animais, sua nascença e crescimento, se dá a sabedoria do Amor.
Nas artes, aqueles que o Amor se torna mestre, torna-se célebre e ilustre, nos que ele não toca se tornam obscuros. Apollo, Hefesto, Atenas, Zeus e as musas das Belas-Artes, são guiados pelo desejo e pelo amor.
O Amor em si, é o mais belo e o melhor, depois que é para os outros, causador de tantos bens.
“paz entre os homens, e no mar
bonança,
repouso tranqüilo de ventos e
sono na dor.”


“É ele que nos tira o sentimento de estranheza e nos enche de familiaridade, promovendo todas as reuniões deste tipo, para mutuamente nos encontrarmos, tornando-se nosso guia nas festas, nos coros, nos sacrifícios; incutindo brandura e excluindo rudeza; pródigo de bem-querer e incapaz de mal-querer; propício e bom; contemplado pelos sábios e admirado pelos deuses; invejado pelos desafortunados e conquistado pelos afortunados; do luxo, do requinte, do brilho, das graças, do ardor e da paixão, pai; diligente com o que é bom e negligente com o que é mau; no labor, no temor, no ardor da paixão, no teor da expressão, piloto e combatente, protetor e salvador supremo, adorno de todos os deuses e homens, guia belíssimo e excelente, que todo homem deve seguir, celebrando-o em belos hinos, e compartilhando do canto com ele encanta o pensamento de todos os deuses e homens.”


Sócrates é o último a falar, diz que não tem talento para fazer um discurso tão belo quanto Agatão o fez. Sócrates mudará todo o tom do diálogo, não fará elogios e louvores sobre a aparência do amor, mas buscará a essência deste, seu ser e sua idéia.
Começa também com um mito, quando Afrodite nasceu, os deuses organizaram uma grande festa, mas esqueceram de chamar a deusa Penúria, miserável e faminta, ela esperou pelo fim da festa, entrou no jardim e comeu os restos, enquanto os deuses dormiam. Num canto do jardim, viu Engenho Astuto (Poros) e desejou ter um filho com ele, deito-se ao seu lado e do ato sexual nasceu Eros, o amor. Como sua mãe, Eros está sempre faminto e miserável; como seu pai, Eros é astuto sabe engenhosamente conseguir o que quer.
Descobrimos assim, que amar é carência e astúcia, é o desejo de saciar e satisfazer a fome, a sede, o desejo de completar-se e de encontrar plenitude. Amar é querer fundir-se ao amado e ser um só com ele. O amor é o desejo de perfeição, o amor é desejo de beleza. O amor pelos corpos belos é uma sombra do amor pelo imperecível, mas o amor pelas almas belas é o amor por algo que é absolutamente perfeito em si mesmo e por si mesmo. Quando há a verdadeira beleza, não amamos aquela coisa bela, mas sim a idéia ou a essência da beleza, o belo em si, contemplativo e metafísico.
A beleza perfeita se encontra nas idéias, no intelecto do ser amado encontramos o belo.
O amor pela sabedoria, pelo amor o intelecto humano participa do inteligível, torna-se parte do mundo das idéias e das essências, conhece assim o ser verdadeiro.

Nenhum comentário: